Valor Econômico
04/10/2012
Falha em aviões da Boeing na China foi problema de montagem, diz GE

A falha no motor de aviões 747-8 da Boeing em Xangai foram causados por um erro na montagem da turbina de baixa pressão e motivou o agendamento de uma inspeção de uma hora em toda a frota da General Electric (GE), informou hoje o conglomerado de energia e engenharia dos Estados Unidos.

A fiscalização da GE vai servir para checar se as tubulações estão instaladas de maneira correta. Os componentes são responsáveis por direcionar o ar para as pás de rotação da turbina dos aviões.

A razão dos problemas enfrentados pelas aeronaves da Boeing, no entanto, ainda está sendo investigada. “A investigação inicial indica que uma tubulação [da turbina de baixa pressão] pode ter sido construída de maneira imprópria e acabou se soltando”, afirmou uma porta-voz para o Comitê Nacional de Segurança dos Transportes dos Estados Unidos.

Este é a segunda explicação que a GE tem que dar por conta do GEnx, seu novo motor de aviação. Em um momento em que o mercado de montagem de aviões está avançando, este tipo de problema é exatamente o que a companhia não quer ter que enfrentar. Muitas das peças de nova geração do grupo dependem da tecnologia do GEnx.

Em julho, um teste com o 787 mostrou uma falha na parte da turbina chamada de eixo médio, segundo informações do comitê de segurança americano. Depois, em agosto, inspeções mais detalhadas mostraram um problema semelhante em unidades 787 que ainda não haviam voado.


Jornal Zero Hora - 27/09/2009
UMA CARREIRA PARA DECOLAR
Mercado nas alturas
Quantidade de profissionais capacitados não acompanha o crescimento do tráfego aéreo no país. O apagão de pilotos levou a Anac a custear aulas práticas em diferentes regiões.

Pilotos e outras profissões relacionadas à aviação podem garantir o seu embarque no mercado de trabalho. O tráfego aéreo de passageiros cresceu 6,5% apenas no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2008, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), abrindo portas para muitas vagas.

Atualmente, são mais de 12 mil aeronaves – incluindo aviões e helicópteros civis de todas as categorias – responsáveis por transportar mais de 50 milhões de pessoas por ano no país. Mas na contramão do crescimento, faltam profissionais qualificados dispostos a seguir carreira, em terra e no ar, apontam especialistas do setor.

– Há carência principalmente de pilotos com experiência. Muitos, após a paralisação das atividades da Vasp, Transbrasil, Varig, Rio Sul, Nordeste e BRA, optaram por trabalhar no Exterior, onde salários e benefícios são mais atrativos – explica Graziella Baggio, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas.

Juliano Noman, superintendente de Serviços Aéreos da Anac, discorda. Para ele, o problema não é a falta de mão de obra, mas a dificuldade de formar gente em um curto prazo.

– Temos profissionais suficientes. Mas precisamos treinar pessoas para suportar o crescimento que esperamos para os próximos anos – pondera o superintendente.

De acordo com Noman, é possível formar técnicos entre 12 meses e 18 meses. Porém, fazer com que a carreira decole no setor da aviação nem sempre é tarefa fácil de ser executada. Os cursos são caros para todos os cargos, argumenta Graziella:

– O investimento no aprendizado é alto. E os salários não atraem mais.

Investimento na formação é expressivo

Luiz Augusto Jaborandy, 23 anos, confirma que o retorno do alto investimento para começar a carreira muitas vezes só começa a aparecer a partir do terceiro ano de profissão, como estimam também os especialistas. Em 2007, acompanhando o pai, piloto militar em viagem aos Estados Unidos, conquistou as habilitações americanas de piloto privado, privado de helicóptero, voo por instrumento, comercial (de linhas áreas e táxi aéreo) e bimotor.

– É um diferencial para a carreira. O inglês é valorizado, principalmente a linguagem técnica. Sem contar a experiência adquirida em aviões cuja tecnologia é muitas vezes superior à nossa – avalia Jaborandy

De volta a Brasília há seis meses, o estudante do curso superior de aviação civil comemora a aprovação da experiência pela Anac. Isso porque, para validar a formação americana no Brasil, ele passou por provas teóricas e práticas elaboradas pelo órgão.