Terra
07/12/2012 20h28
Ministério Público do RJ manda Gol readmitir 850 demitidos da Webjet

Luciana Cobucci
Direto de Brasília

Após detectar irregularidades na demissão de 850 pessoas da extinta Webjet, o Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro proferiu liminar, na tarde desta sexta-feira, determinando que a Gol Linhas Aéreas (que comprou a Webjet) readmita os funcionários. A liminar - decisão provisória - foi proferida após a procuradora do Trabalho Lúcia de Fátima dos Santos Gomes ingressar com uma ação civil pública em que afirma que faltou negociação prévia da empresa com o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA).

O Ministério Público do Trabalho pediu, na ação civil pública, que a Gol seja condenada a pagar R$ 5 milhões por danos morais públicos. Segundo a procuradora, desde o início da fusão entre as empresas, em 2011, 2 mil funcionários já foram demitidos. Em contato com o Terra, a Gol afirmou que ainda não foi informada judicialmente sobre a decisão.

A companhia aérea deverá comprovar, em audiência no próximo dia 18, o cumprimento da liminar, sob pena de multa diária de R$ 20 mil por trabalhador que não for readmitido.

Entenda

A Gol anunciou no dia 23 de novembro, em conferência, o fim da marca Webjet e a demissão de 850 funcionários da companhia. Segundo a Gol, o fim da marca, no entanto, não vai afetar nenhum voo já adquirido por consumidores - todos os bilhetes já foram realocados em outros voos, segundo o presidente da Gol, Paulo Kakinoff.

"A WebJet possui uma frota composta majoritariamente por aviões Boeing 737-300, de idade média elevada, alto consumo de combustível e defasagem tecnológica. Com os novos patamares de custo do setor no Brasil, esse modelo deixou de ser competitivo", disse a Gol na época.

A companhia estima em 5% a 8% a redução da oferta doméstica de assentos no primeiro semestre de 2013. A Webjet tinha cerca de 1.500 empregados. De acordo com a Gol, 450 serão absorvidos imediatamente, enquanto outros 200, entre funcionários em licenças e aposentadoria, ficarão cuidando da transição até o fim das operações que deve ocorrer no primeiro semestre de 2013.

Os cortes afetariam 143 tripulantes técnicos (comandantes e pilotos), cerca de 400 empregados da tripulação comercial e o restante da área de manutenção. A Gol concluiu a compra da WebJet em outubro de 2011, por R$ 70 milhões, além de ter assumido dívidas de cerca de R$ 200 milhões. A aquisição foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 10 de outubro deste ano, condicionada ao cumprimento de um acordo para garantir um patamar de 85% de eficiência na operação dos slots do aeroporto de Santos Dumont, no Rio de Janeiro.


Jornal Zero Hora - 27/09/2009
UMA CARREIRA PARA DECOLAR
Mercado nas alturas
Quantidade de profissionais capacitados não acompanha o crescimento do tráfego aéreo no país. O apagão de pilotos levou a Anac a custear aulas práticas em diferentes regiões.

Pilotos e outras profissões relacionadas à aviação podem garantir o seu embarque no mercado de trabalho. O tráfego aéreo de passageiros cresceu 6,5% apenas no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2008, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), abrindo portas para muitas vagas.

Atualmente, são mais de 12 mil aeronaves – incluindo aviões e helicópteros civis de todas as categorias – responsáveis por transportar mais de 50 milhões de pessoas por ano no país. Mas na contramão do crescimento, faltam profissionais qualificados dispostos a seguir carreira, em terra e no ar, apontam especialistas do setor.

– Há carência principalmente de pilotos com experiência. Muitos, após a paralisação das atividades da Vasp, Transbrasil, Varig, Rio Sul, Nordeste e BRA, optaram por trabalhar no Exterior, onde salários e benefícios são mais atrativos – explica Graziella Baggio, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas.

Juliano Noman, superintendente de Serviços Aéreos da Anac, discorda. Para ele, o problema não é a falta de mão de obra, mas a dificuldade de formar gente em um curto prazo.

– Temos profissionais suficientes. Mas precisamos treinar pessoas para suportar o crescimento que esperamos para os próximos anos – pondera o superintendente.

De acordo com Noman, é possível formar técnicos entre 12 meses e 18 meses. Porém, fazer com que a carreira decole no setor da aviação nem sempre é tarefa fácil de ser executada. Os cursos são caros para todos os cargos, argumenta Graziella:

– O investimento no aprendizado é alto. E os salários não atraem mais.

Investimento na formação é expressivo

Luiz Augusto Jaborandy, 23 anos, confirma que o retorno do alto investimento para começar a carreira muitas vezes só começa a aparecer a partir do terceiro ano de profissão, como estimam também os especialistas. Em 2007, acompanhando o pai, piloto militar em viagem aos Estados Unidos, conquistou as habilitações americanas de piloto privado, privado de helicóptero, voo por instrumento, comercial (de linhas áreas e táxi aéreo) e bimotor.

– É um diferencial para a carreira. O inglês é valorizado, principalmente a linguagem técnica. Sem contar a experiência adquirida em aviões cuja tecnologia é muitas vezes superior à nossa – avalia Jaborandy

De volta a Brasília há seis meses, o estudante do curso superior de aviação civil comemora a aprovação da experiência pela Anac. Isso porque, para validar a formação americana no Brasil, ele passou por provas teóricas e práticas elaboradas pelo órgão.