Folha de São Paulo
21/12/2012 06h00
Privatização de Galeão e Confins tem vários pontos indefinidos

DE BRASÍLIA

O governo Dilma lançou ontem mais um pacote nesta reta final de ano, o de investimentos na aviação civil, incluindo na lista de privatização os aeroportos do Galeão (RJ) e Confins (Grande BH).

Além da concessão dessas unidades ao setor privado, que pode gerar uma receita de R$ 11,4 bilhões nos leilões agendados para setembro de 2013, foi anunciado um investimento de R$ 7,3 bilhões em 270 aeroportos regionais e a criação da Infraero Serviços, subsidiária da estatal que administra o setor aeroportuário público no Brasil.

O pacote, elaborado às pressas nos últimos dias depois que a presidente decidiu divulgá-lo antes do Natal, ainda tem vários pontos indefinidos, como o subsídio para voos considerados deficitários entre cidades pequenas e capitais.

O governo anunciou que vai bancar o valor referente à metade da ocupação de aviões desse tipo, limitados a 60 assentos por aeronave. O formato final dependerá de consultas públicas.

O anúncio da concessão do Galeão e de Confins ocorreu após quase um ano de idas e vindas. O resultado dos primeiros leilões (Guarulhos, Viracopos e Brasília), nos quais operadores internacionais de pequeno e médio porte saíram vencedores, desagradou à presidente Dilma Rousseff.

Ela chegou a encomendar estudo em que a Infraero seguiria como majoritária nos aeroportos, mas desistiu diante da recusa de grandes operadores internacionais de entrar como minoritários.

Dilma, que chegou a pensar em desistir da privatização dos dois aeroportos, acabou aceitando esse caminho diante da necessidade de elevar os investimentos no país.

Exigiu, porém, que só poderá participar dos leilões operadores internacional com experiência na administração de aeroportos com movimento de 35 milhões de passageiros/ano.

REGIONAIS

No caso dos investimentos em aeroportos regionais, a lista da primeira fase inclui 270 pequenas e médias unidades, bem abaixo do total de 800 anunciados na semana passada pela presidente durante viagem à Europa.

Esses aeroportos serão reformados ou construídos pelo governo, cabendo a Estados e municípios a gestão.

Eles poderão ter a Infraero como administradora, o que poderá ser feito por meio da sua nova subsidiária, a Infraero Serviços.

A nova estatal terá necessariamente um sócio privado. A forma de sociedade ainda não está definida, mas o presidente da estatal, Gustavo do Vale, afirmou que o novo sócio será minoritário. Estados e municípios também poderão conceder essas unidades para a iniciativa privada.

CRITÉRIOS ESPECÍFICOS

O governo anunciou que mudará a política de distribuição dos slots (horário e local que um avião pode estacionar). Hoje, o slot é pedido pelas empresas, que só o perdem se tiverem mais de 20% de voos cancelados.

A ideia é ter critérios específicos de distribuição, incluindo slots exclusivos para a aviação regional. Além disso, o governo quer que as empresas também os percam por atraso ou mau atendimento, por exemplo.

Mas tudo isso só será definido após audiências públicas, que discutirão também subsídios a passagens regionais. (DIMMI AMORA, MÁRCIO FALCÃO E VALDO CRUZ)


Jornal Zero Hora - 27/09/2009
UMA CARREIRA PARA DECOLAR
Mercado nas alturas
Quantidade de profissionais capacitados não acompanha o crescimento do tráfego aéreo no país. O apagão de pilotos levou a Anac a custear aulas práticas em diferentes regiões.

Pilotos e outras profissões relacionadas à aviação podem garantir o seu embarque no mercado de trabalho. O tráfego aéreo de passageiros cresceu 6,5% apenas no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2008, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), abrindo portas para muitas vagas.

Atualmente, são mais de 12 mil aeronaves – incluindo aviões e helicópteros civis de todas as categorias – responsáveis por transportar mais de 50 milhões de pessoas por ano no país. Mas na contramão do crescimento, faltam profissionais qualificados dispostos a seguir carreira, em terra e no ar, apontam especialistas do setor.

– Há carência principalmente de pilotos com experiência. Muitos, após a paralisação das atividades da Vasp, Transbrasil, Varig, Rio Sul, Nordeste e BRA, optaram por trabalhar no Exterior, onde salários e benefícios são mais atrativos – explica Graziella Baggio, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas.

Juliano Noman, superintendente de Serviços Aéreos da Anac, discorda. Para ele, o problema não é a falta de mão de obra, mas a dificuldade de formar gente em um curto prazo.

– Temos profissionais suficientes. Mas precisamos treinar pessoas para suportar o crescimento que esperamos para os próximos anos – pondera o superintendente.

De acordo com Noman, é possível formar técnicos entre 12 meses e 18 meses. Porém, fazer com que a carreira decole no setor da aviação nem sempre é tarefa fácil de ser executada. Os cursos são caros para todos os cargos, argumenta Graziella:

– O investimento no aprendizado é alto. E os salários não atraem mais.

Investimento na formação é expressivo

Luiz Augusto Jaborandy, 23 anos, confirma que o retorno do alto investimento para começar a carreira muitas vezes só começa a aparecer a partir do terceiro ano de profissão, como estimam também os especialistas. Em 2007, acompanhando o pai, piloto militar em viagem aos Estados Unidos, conquistou as habilitações americanas de piloto privado, privado de helicóptero, voo por instrumento, comercial (de linhas áreas e táxi aéreo) e bimotor.

– É um diferencial para a carreira. O inglês é valorizado, principalmente a linguagem técnica. Sem contar a experiência adquirida em aviões cuja tecnologia é muitas vezes superior à nossa – avalia Jaborandy

De volta a Brasília há seis meses, o estudante do curso superior de aviação civil comemora a aprovação da experiência pela Anac. Isso porque, para validar a formação americana no Brasil, ele passou por provas teóricas e práticas elaboradas pelo órgão.