Terra
26/11/2012 19h20
SP: ex-funcionários da Webjet realizam protesto contra demissões

Cerca de 250 ex-funcionários da Webjet realizaram um protesto nesta segunda-feira, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, contra as demissões anunciadas pela Gol na sexta-feira, segundo informações do Sindicato Nacional dos Aeronautas.

Os aeronautas questionaram os motivos das demissões em massa, já que, segundo eles, as empresas aéreas receberam recentes estímulos do governo. Além da manifestação em São Paulo, o sindicato também programou protestos nos aeroportos Santos Dumont, no Rio de Janeiro, de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), de Salvador (BA) e de Porto Alegre (RS).

A Gol anunciou, na sexta-feira, o fim da marca Webjet e a demissão de 850 funcionários da companhia. O fim da marca, no entanto, não afetará nenhum voo já adquirido por consumidores - todos os bilhetes já foram realocados em outros voos, segundo o presidente da Gol, Paulo Kakinoff.

A companhia estima em 5% a 8% a redução da oferta doméstica de assentos no primeiro semestre de 2013. Quanto à frota de 20 aeronaves Boeing 737-300s da WebJet, a Gol prevê devolvê-la toda até a metade do ano que vem, a maioria até março de 2013. "Essas medidas reforçam o comprometimento da Gol na recuperação de suas margens operacionais e na sustentabilidade do negócio", diz a empresa.

A Webjet tinha cerca de 1.500 empregados. De acordo com a Gol, 450 serão absorvidos imediatamente, enquanto outros 200, entre funcionários em licenças e aposentadoria, ficarão cuidando da transição até o fim das operações que deve ocorrer no primeiro semestre de 2013. Os empregados foram comunicados na sexta-feira das demissões.

Os cortes vão afetar 143 tripulantes técnicos (comandantes e pilotos), cerca de 400 empregados da tripulação comercial e o restante da área de manutenção. A frota operacional da empresa será de 130 aeronaves, com a paralisação das aeronaves 737-300 da Webjet.

A Gol concluiu a compra da WebJet em outubro de 2011, por R$ 70 milhões, além de ter assumido dívidas de cerca de R$ 200 milhões. A aquisição foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 10 de outubro último, condicionada ao cumprimento de um acordo para garantir um patamar de 85% de eficiência na operação dos slots do aeroporto de Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

A Gol afirmou, após o aval do Cade ao negócio, que pretendia concluir a integração da malha da WebJet em dezembro, divulgando até o fim do ano um plano de sinergias que poderiam ser alcançadas.

O Terra entrou em contato com a GOl que afirmou que não vai se manifestar sobre o protesto.


Jornal Zero Hora - 27/09/2009
UMA CARREIRA PARA DECOLAR
Mercado nas alturas
Quantidade de profissionais capacitados não acompanha o crescimento do tráfego aéreo no país. O apagão de pilotos levou a Anac a custear aulas práticas em diferentes regiões.

Pilotos e outras profissões relacionadas à aviação podem garantir o seu embarque no mercado de trabalho. O tráfego aéreo de passageiros cresceu 6,5% apenas no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2008, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), abrindo portas para muitas vagas.

Atualmente, são mais de 12 mil aeronaves – incluindo aviões e helicópteros civis de todas as categorias – responsáveis por transportar mais de 50 milhões de pessoas por ano no país. Mas na contramão do crescimento, faltam profissionais qualificados dispostos a seguir carreira, em terra e no ar, apontam especialistas do setor.

– Há carência principalmente de pilotos com experiência. Muitos, após a paralisação das atividades da Vasp, Transbrasil, Varig, Rio Sul, Nordeste e BRA, optaram por trabalhar no Exterior, onde salários e benefícios são mais atrativos – explica Graziella Baggio, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas.

Juliano Noman, superintendente de Serviços Aéreos da Anac, discorda. Para ele, o problema não é a falta de mão de obra, mas a dificuldade de formar gente em um curto prazo.

– Temos profissionais suficientes. Mas precisamos treinar pessoas para suportar o crescimento que esperamos para os próximos anos – pondera o superintendente.

De acordo com Noman, é possível formar técnicos entre 12 meses e 18 meses. Porém, fazer com que a carreira decole no setor da aviação nem sempre é tarefa fácil de ser executada. Os cursos são caros para todos os cargos, argumenta Graziella:

– O investimento no aprendizado é alto. E os salários não atraem mais.

Investimento na formação é expressivo

Luiz Augusto Jaborandy, 23 anos, confirma que o retorno do alto investimento para começar a carreira muitas vezes só começa a aparecer a partir do terceiro ano de profissão, como estimam também os especialistas. Em 2007, acompanhando o pai, piloto militar em viagem aos Estados Unidos, conquistou as habilitações americanas de piloto privado, privado de helicóptero, voo por instrumento, comercial (de linhas áreas e táxi aéreo) e bimotor.

– É um diferencial para a carreira. O inglês é valorizado, principalmente a linguagem técnica. Sem contar a experiência adquirida em aviões cuja tecnologia é muitas vezes superior à nossa – avalia Jaborandy

De volta a Brasília há seis meses, o estudante do curso superior de aviação civil comemora a aprovação da experiência pela Anac. Isso porque, para validar a formação americana no Brasil, ele passou por provas teóricas e práticas elaboradas pelo órgão.